A política do café com leite

A política do café com leite

 

Política do Café com LeiteA Política do Café com Leite é o nome dado a um período político no Brasil em que a presidência do país  se revesava entre São Paulo e Minas Gerais, através do Partido Republicano Mineiro (PRM) e do Partido Republicano Paulista (PRP) vigorou na República velha de 1889 a 1930.  Foi um longo período por interesse de toda elite agrária do país, os coronéis, grandes fazendeiros, optavam por candidatos da política café-com-leite, e estes, além de focar suas decisões no sentido de proteger os negócios destes latifundiários, lhe concediam regalias, cargos públicos por interesse

As eleições presidenciais ocorriam, de quatro em quatro anos, em 01 de Março, e a posse dos eleitos se dava no dia 15 de novembro do ano da eleição presidencial. O candidato oficial a presidente da República era escolhido através de um acordo nacional entre os presidentes dos estados.

O Coronelismo era a base da Política do Café com Leite na chamada República Velha. Naquela época, os coronéis, grandes latifundiários, tinham o direito de formar milícias em suas propriedades e combater qualquer levante popular. Desta forma trabalhadores e camponeses eram subordinados ao poder militar e, sobretudo, político dos coronéis. Contrariar o candidato preferido do coronel na eleição, por exemplo, era uma atitude que poderia resultar no assassinato do indivíduo, uma vez que o voto era aberto. Essa dinâmica eleitoral ficou conhecida como “voto de cabresto”

O voto não era secreto, o que tornava o voto a cabresto e a fraude eleitoral práticas constantes. Às articulações de bastidores visando a escolha do candidato a presidente chamou-se política do café com leite.


Esse revesamento em comum acordo se dava entre os dois estados, Minas Gerais e São Paulo, os dois estados mais ricos e com maior colégio eleitoral se tornando assim as duas grandes potencias devido ao maior poder econômico e desta forma os dois estados defendiam geralmente seus próprios interesses, mas ainda assim estavam de certa forma agradando toda elite pecuarista do país, no entanto que tinham o apoio de representante dos outros estados. Todos que eram indicados presidentes, eram governadores de seus estados, São Paulo ou Minas Gerais e tinhas seus mandatos de 04 anos, estrategicamente sem direito a reeleição.

Esse período inciado em 1889 logo após a fase denominada República da Espada, tendo como primeiro governador o então Marechal em Direito o paulista Manuel Ferraz de Campos Sales (Campos Sales), teve o início de sua decadência quando o então presidente Washington Luis (paulista) indicou para presidente o também paulista Júlio Prestes, decisão que não agradou aos mineiros, que por sua vez se aliou a elite do Rio Grande do Sul, sendo um fator fundamental para a eleição de Getúlio Vargas para presidente. Dessa forma o conflito entre o presidente Washington Luis e os mineiros liderados pelo Governador mineiro Antônio Carlos Ribeiro de Andrada (Antônio Carlos) se início a revolução de 1930 que impede a posse do presidente de São Paulo, eleito presidente do Brasil, Júlio Prestes, sendo assim então Júlio Prestes o último presidente a ser eleito, porém Washington Luis é o último presidente a exercer o carga na Política do Café com Leite. Outro fator determinante para o fim da Política do Café com Leite foi a crise mundial de 1929, que fez com que o preço do café despencasse, tirando assim o poder econômico e naturalmente o poder político dos Barões de Café.

Ao manter para si a riqueza gerada pelas exportações, São Paulo, mais ainda que Minas Gerais, investiu fortemente em sua infra-estrutura e em seu próprio mercado. criando assim um crescimento artificializado. Ao contrair enorme dívida para manter o alto nível de exportações, São Paulo, portanto, financiava seu próprio sucesso através de empréstimos, que foram depois pagos pelo Governo Federal por Getúlio Vargas. Sua infra-estrutura foi durante o período imensamente melhorada. O mesmo não ocorreu com outros estados, principalmente estados do  Nordeste, ainda mais empobrecidos devido, não somente a sua falta de adaptação ao sistema capitalista do século XX, mas, também, à fraca distribuição de recursos por parte do Governo Federal. Assim, passaram a fornecer migrantes para o estado de São Paulo e outros da região Sudeste. Tudo isso somado à grande e rápida concentração populacional explica as posições de destaque que Minas Gerais e São Paulo hoje possuem entre os estados brasileiros.

A Política do Café com Leite é um marco na história política do Brasil e sua influência foi determinante para os moldes da política no Brasil e influenciou diretamente na estruturação do país e suas consequências são ainda presentes nos dias atuais, no entanto que o cenário brasileiro em termo de crescimento e de política ainda gira em volta da região Sudeste onde estão os estados de Minas Gerais e de São Paulo.

Todos os presidentes da Política do Café com Leite

Campos Sales (PRP) 1889 -1902

Rodrigues Alves (PRP) 1902-1906 – Reeleito em 1918, mas por problemas de doença não assumiu o cargo.

Afonso Pena (PRM) 1906-1909

Hermes da Fonseca – Partido Republicano Conservador (PRC) 1910 1914

Venceslau Bras (PRM) 1914-1918

Delfim Moreira (PRM) 1918 – 1919 – Vice-presidente, assumiu a presidência com a morte do paulista Rodrigues Alves

Epitácio Pessoa (eleito quando estava na frança – apoiado pelo PRM – 1919 – 1922

Arthur Bernardes (PRM) 1922 – 1926

Washington Luis (PRP) 1926 – 1930

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